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As previsões de emprego e de desemprego da OCDE

 

A OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico), que agrupa as 30 economias mais desenvolvidas do mundo, fez as contas ao desemprego em 2009. Filho espúrio do afundamento da economia, verdadeira chaga social em expansão em todos os continentes, o desemprego não parou de crescer ao longo do ano passado. Entre nós, começámos 2009 com uma taxa de 8,8% e acabámos com 10,3%. A média nacional dá, segundo a OCDE, 9,6% - a quinta taxa mais alta entre o lote das economias avançadas.

Segundo o indicador pesado de conjuntura dessa mesma organização, cujos dados referentes ao passado mês de Dezembro foram divulgados na última sexta-feira, Portugal, em total sincronia com a França, a Alemanha e a Itália - todos da Zona Euro -, ultrapassou nesse mês o índice 100, pela primeira vez em muitos meses. Isto é, deverá entrar, dentro de seis meses, no terreno da expansão económica, o que, nas condições actuais da economia portuguesa, quer dizer crescimento económico superior a 1%.

A confirmar-se esta previsão, baseada na integração de toda a informação disponível no fim de 2009, o PIB poderá, assim, superar a subida esperada de 0,7%, o que terá consequências inevitáveis no desemprego.

Clientes externos mais activos puxam por exportações mais dinâmicas. Estas animam a novos investimentos, indutores de mais emprego. Os valores em revisão positiva - sem triunfalismos despropositados - ainda não nos dão a base sólida para prever a redução do desemprego em Portugal até ao fim de 2010. Mas, ao menos, admitem já um equilíbrio entre postos de trabalho criados e destruídos. O que tornará plausível a previsão de uma taxa anual de desempregados na casa dos 9,8%.

Um inadmissível atraso

O processo Casa Pia "reflecte, com um evidência nunca antes vista, a ineficiência do nosso sistema de justiça". A avaliação tem uma semana e é do Conselho Superior de Justiça. Mas, embora concreta e proferida por um dos mais importantes órgãos da magistratura nacional, a análise foi abafada pela avalanche informativa provocada pelo momento político.

Pior, ontem, o novo avanço do processo foi um novo recuo: as defesas pediram mais audições de testemunhas e meios de prova.

Desta vez, porém, ao contrário do que já tantas vezes fizeram ao longo do processo, os advogados dos arguidos nem tiveram sequer de procurar um argumento para fazer arrastar o caso no tribunal. Desta vez, foi o próprio Ministério Público que lhes deu, de mão beijada, razões para protelarem a decisão final, por ter decidido - depois de todo este tempo - alterar, no despacho de pronúncia, o local em que os arguidos são acusados de ter praticado os alegados crimes.

Qualquer que seja a verdade - a que é possível de provar e a que não o é -, nada justifica tais atrasos. De acordo com a Constituição da República Portuguesa, uma violação de um dos direitos fundamentais dos cidadãos - vítimas e arguidos.

Mais grave ainda, se este arrastar lento e complexo poderá ter alguma influência no desfecho final do processo, só poderá afastá-lo da verdade, ou seja, da justiça.

in DN

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