Câmara Municipal de Cabeceiras , Celorico e Mondim de Basto apresentaram parecer sobre Estudo de Impacte Ambiental da Barragem de Fridão

2010-02-15 20:36

Os três municípios da região de Basto vão exigir da EDP uma compensação permanente de 2,5 por cento da faturação da barragem de Fridão, no rio Tâmega, disse hoje à Lusa Joaquim Barreto, autarca de Cabeceiras de Basto (PS).


“Não queremos que à custa dos nossos recursos naturais fiquemos mais pobres e o país mais rico”, afirmou o autarca, ladeado dos presidentes das câmaras de Celorico de Basto, Joaquim Mota e Silva (PSD), e Mondim de Basto, Humberto Cerqueira (PS).
Os três concelhos apresentaram hoje, em Braga, um pacote de sete exigências e medidas compensatórias pelos “fortes prejuízos locais”, sem as quais – garantem os respetivos autarcas – opor-se-ão à construção da barragem de Fridão.
 

“É pois intenção dos municípios, não se opondo cabalmente à construção do empreendimento hidroelétrico, assegurar que um bem nacional não se faça à custa do sacrifício das populações do interior”, sublinharam os presidentes.
Além da compensação financeira, que poderá chegar aos 2,5 milhões de euros anuais, os municípios exigem também a construção do troço da variante do Tâmega de Celorico até Arco de Baúlhe, contratualizada desde 1983, e a ligação desta via à vila de Mondim de Basto, cujo projeto se encontra em fase final de execução.


No pacote de exigências, constam ainda a construção de uma ecopista entre Celorico de Basto e Arco de Baúlhe e infraestruturas na albufeira que permitam a acostagem de embarcações de recreio. Exige-se ainda apoio nas infraestruturas de tratamento de águas residuais, para minimizar os impactes causados pelas descargas para o Tâmega.


Os três concelhos, cujos territórios poderão ser parcialmente inundados por uma albufeira com cerca de 35 quilómetros de extensão, lembram que o rio Tâmega transformar-se-á “num conjunto de massas de águas artificiais, sem possibilidade de recuperação do seu valor ecológico e ambiental”.
Joaquim Barreto garantiu que os autarcas estão dispostos a negociar com a EDP, admitindo que possa haver daquela empresa uma contraproposta.
Frisou, contudo, que só haverá acordo se as medidas compensatórias ficarem devidamente contratualizadas.
O autarca de Cabeceiras, que também presidente à Federação de Braga do PS, disse subscrever a posição do seu colega de Celorico de Basto, Joaquim Mota e Silva (PSD), que tinha antes garantido que iria para a rua defender os interesses dos seu munícipes caso a EDP não satisfaça as medidas compensatórias.


“Queremos que a barragem seja um projeto de inclusão e não de exclusão”, acentuou Joaquim Barreto.
Para os três autarcas, o Estudo de Impacte Ambiental mandado realizar pela EDP, cujo período de consulta pública termina hoje, é “claramente deficiente nas medidas de mitigação”.
Cabeceiras, Celorico e Mondim irão ainda apresentar à EDP um conjunto de exigências de incidência mais concelhia.
O autarca de Mondim mostrou-se preocupado com o facto de estar previsto o atravessamento do concelho de uma linha de muito alta tensão.
A barragem de Fridão é uma das 10 que constam do Plano Nacional de Barragens com Elevado Potencial hidroelétrico.
Além dos três concelhos de Basto, também o município de Amarante, em cujo território se situa a freguesia de Fridão, verá vastas áreas inundadas.
A Câmara local aprovou por unanimidade, dia 8 de fevereiro, uma moção em que se opõe à construção da barragem por considerar que terá impactes muito negativos para o concelho.  

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